Reforma tributária: 40 bilhões em benefícios perdidos

19/02/2026

O que muda com o fim de três impostos federais

O Brasil vai eliminar três impostos importantes no final de 2026: PIS, Cofins e IPI. Com essa mudança, cerca de R$ 40 bilhões em benefícios fiscais vão desaparecer.

Os benefícios fiscais são descontos ou isenções de impostos que o governo concede para ajudar certas empresas ou setores. É como se fosse um "desconto" que reduz o valor dos tributos que as empresas precisam pagar.

No lugar desses três impostos, entram duas novas cobranças em 2027:

  • CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços)
  • Imposto seletivo

Essa mudança representa uma das maiores transformações no sistema de impostos do Brasil dos últimos anos.

Por que R$ 40 bilhões em benefícios vão sumir

Segundo a Receita Federal, os R$ 40 bilhões que serão perdidos representam cerca de 6,5% de todos os gastos tributários do país. Gastos tributários são os valores que o governo deixa de arrecadar quando dá descontos ou isenções.

Esses benefícios estavam "amarrados" aos impostos antigos (PIS, Cofins e IPI). Como esses impostos vão acabar, os benefícios também desaparecem automaticamente.

O problema é que os benefícios não foram transferidos para o novo sistema. Isso significa que muitas empresas que hoje pagam menos impostos vão passar a pagar mais a partir de 2027.

Novo sistema traz algumas vantagens para empresas

Apesar das perdas, a reforma tributária traz algumas novidades positivas:

  • Investimentos ficam livres de impostos para todos os setores
  • Exportações não pagam mais tributos
  • Sistema não cumulativo: empresas podem descontar impostos pagos anteriormente na cadeia de produção

Rodrigo Orair, diretor da Secretaria Extraordinária da Reforma Tributária, explica que o novo modelo será mais transparente: "Não tem cobrança no meio da cadeia, não tem cobrança na origem, só no destino das exportações, e não tem cobrança nos investimentos".

R$ 150 bilhões em benefícios foram mantidos

Nem tudo foi perdido na reforma. O Congresso Nacional manteve mais de R$ 150 bilhões em benefícios fiscais. Entre os que continuam existindo estão:

Benefícios preservados:

  • Simples Nacional
  • Zona Franca de Manaus
  • Defensivos agrícolas
  • Entidades filantrópicas
  • Livros e equipamentos médicos
  • Transporte coletivo

Novos benefícios criados:

  • Cesta básica com alíquota zero: carnes, peixes, arroz, leite e feijão
  • Mais de 300 medicamentos isentos, incluindo losartana, insulina e remédios para ansiedade
  • Cashback para população de baixa renda
  • Desconto em contas de água, gás e energia elétrica
  • Alíquota reduzida para saúde e educação privadas

Brasil terá uma das maiores alíquotas do mundo

A reforma tributária vai resultar numa alíquota de cerca de 28% para o consumo. Essa taxa vem da soma da CBS com o futuro IBS (Imposto sobre Bens e Serviços).

Esse percentual coloca o Brasil entre os países com as maiores taxas de imposto sobre consumo do mundo.

O que isso significa para o consumidor

O sistema brasileiro continua cobrando mais de quem ganha menos. Isso acontece porque:

  • Os impostos incidem principalmente sobre o consumo
  • Quem ganha menos gasta uma parte maior da renda consumindo
  • Países desenvolvidos tributam mais a renda dos ricos

Como será calculada a nova alíquota

A Receita Federal, junto com técnicos do TCU (Tribunal de Contas da União), está calculando a alíquota exata da CBS. O resultado sai até meados de 2026.

A regra é simples: quanto mais benefícios e descontos forem dados, maior será a alíquota para quem não tem direito aos benefícios.

O objetivo é arrecadar o mesmo valor que PIS, Cofins e IPI arrecadavam antes. Se alguns pagam menos, outros precisam pagar mais para manter a arrecadação total.

Referência bibliográfica:
G1 – Reforma tributária: com extinção do PIS, Cofins e IPI, R$ 40 bilhões em benefícios fiscais deixarão de existir em 2027 – 12/02/2026 – https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/02/12/reforma-tributaria-com-extincao-do-pis-cofins-e-ipi-r-40-bilhoes-em-beneficios-fiscais-deixarao-de-existir-em-2026.ghtml

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