Previsões Econômicas Brasileiras para 2026

13/01/2026

Bancos projetam desaceleração econômica e corte de juros para 2026

A inflação mais contida e a desaceleração da atividade econômica brasileira apontam para o início de um ciclo de cortes na taxa Selic em 2026, segundo compilação de projeções realizada pela Forbes com seis grandes instituições financeiras: Itaú, BTG, Santander, XP, UBS e Bradesco. Os indicadores macroeconômicos analisados incluem Selic, Produto Interno Bruto (PIB), inflação e câmbio, com previsões que mostram consenso em relação à perda de tração na economia, embora haja divergências sobre o timing dos cortes de juros.

Para a inflação, que encerrou 2025 com alta de 4,26%, cinco dos seis bancos projetam desaceleração para 2026, com estimativas entre 3,8% e 4%. A exceção é o BTG, que prevê inflação de 4,5%, ainda assim indicando uma desaceleração consistente e melhora qualitativa na composição do índice.

Segundo os analistas do Bradesco, "a inflação voltou ao intervalo da meta após mais de um ano, com contribuições importantes da valorização cambial e desinflação exportada pela China para bens industriais."

Inflação em desaceleração com fatores externos favoráveis

A maioria dos bancos projeta inflação entre 3,8% e 4% para 2026, indicando uma tendência de desaceleração nos preços. Esse cenário é influenciado por fatores como:

  • Valorização cambial
  • Desinflação de produtos industriais chineses
  • Acomodação da atividade econômica
  • Redução na capacidade de repasse de preços pelas empresas

O Itaú destaca a desinflação de bens industriais impulsionada por estoques elevados e demanda mais fraca, além da expectativa de redução nos preços da gasolina como fatores que sustentam sua projeção de 4% para 2026.

O Santander, com previsão de 3,8%, considera a manutenção de um câmbio mais apreciado, a acomodação dos preços de commodities no mercado internacional e os efeitos cumulativos da política monetária restritiva como elementos que devem melhorar tanto o índice geral quanto sua composição.

Crescimento econômico em desaceleração

Há consenso entre as instituições financeiras sobre a desaceleração do PIB em 2026. Enquanto a economia brasileira deve encerrar 2025 com crescimento acima de 2%, as projeções para o ano seguinte variam entre 1,5% e 1,7%, refletindo os efeitos da política monetária restritiva sobre a atividade econômica.

O PIB do terceiro trimestre de 2025 já sinalizava essa tendência ao registrar crescimento de apenas 0,1%. Os analistas do Itaú observam que "esse resultado reforça o quadro de perda de tração, especialmente entre os componentes mais sensíveis à política monetária, que vêm exibindo arrefecimento mais nítido nos últimos trimestres."

As projeções de crescimento para 2026 variam conforme a instituição:

  • Itaú: 1,7% (com viés de alta devido à possibilidade de novas medidas contracíclicas)
  • Bradesco: 1,5% (com possível impulso inicial pelo aumento do salário mínimo e isenção do IR)
  • UBS: Destaca confiança em níveis historicamente baixos e impacto contínuo das taxas de juros

Divergências sobre o início do ciclo de cortes na Selic

As projeções para a taxa Selic no final de 2026 variam entre 11,75% e 12,75% ao ano, com divergências principalmente sobre quando o Banco Central iniciará o ciclo de afrouxamento monetário:

  • Itaú: 12,75% (início do ciclo em janeiro)
  • Bradesco e BTG: 12% (com Bradesco antecipando possível redução já em janeiro de 0,25 p.p.)
  • XP e Santander: 12,5% (início em março, com XP prevendo cinco reduções de 0,50 p.p.)
  • UBS: 11,75% (início em abril, com reduções de 50 pontos-base por reunião)

Segundo relatório do Itaú, "a comunicação recente indica um Banco Central cauteloso, sem pressa para iniciar o ciclo de corte dos juros e mantendo postura dependente dos dados."

Incertezas elevadas para o câmbio em ano eleitoral

As previsões para o câmbio ao final de 2026 mostram maior dispersão, variando de R$ 5,20 (BTG) a R$ 5,90 (Santander). O ano eleitoral é apontado como um fator de volatilidade que pode pressionar a moeda brasileira, limitando seu potencial de valorização.

Os principais fatores que influenciam as projeções de câmbio são:

  • Aumento do prêmio de risco em anos eleitorais
  • Déficit externo ainda elevado
  • Estreitamento do diferencial de juros
  • Incertezas no cenário doméstico

O Itaú projeta o dólar a R$ 5,50, destacando que "o aumento do prêmio de risco tipicamente observado em anos eleitorais limita o potencial de valorização do real", compensando a expectativa de um ambiente externo mais favorável.

Panorama interconectado para a economia brasileira em 2026

O cenário econômico brasileiro para 2026 apresenta desafios importantes, com uma desaceleração generalizada na inflação e no crescimento do PIB. A tendência de inflação mais controlada cria espaço para a flexibilização da política monetária, o que poderia estimular o crédito e mitigar parcialmente os efeitos da desaceleração econômica.

No entanto, a cautela do Banco Central e as incertezas típicas de um ano eleitoral podem moderar:

  • A velocidade dos cortes de juros
  • A estabilidade do câmbio
  • O ritmo de recuperação econômica

A desaceleração econômica prevista para 2026 demandará atenção especial dos setores mais sensíveis às taxas de juros, como o imobiliário e o de bens de consumo duráveis. Empresas e investidores precisarão ajustar suas estratégias para um ambiente de crescimento mais modesto, mas com possível melhora nas condições de financiamento ao longo do ano, à medida que o ciclo de cortes de juros se consolide.

Referência bibliográfica:
Forbes Brasil (Marília Almeida e Ana Paula Branco) – As Previsões para a Economia Brasileira, Segundo Seis Grandes Bancos – 12/01/2026 – https://forbes.com.br/forbes-money/2026/01/as-previsoes-para-a-economia-brasileira-segundo-seis-grandes-bancos/

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